V Barómetro Executive Digest – Daniel Traça

As reformas na educação, na saúde ou na justiça foram avaliadas pelo painel que responde a este Barómetro Executive Digest. Em praticamente todas há consenso: Portugal tem que se adaptar rapidamente para responder a mudanças que são globais.

Por Daniel Traça, dean da Nova School of Business and Economics

Apesar do período de crescimento que vivemos, o desafio da produtividade continua por ultrapassar. Entre 2010-14, a produtividade, medida pelo PIB por trabalhador, cresceu à taxa anual de 0,7% e, em 2015-16, à de -0,23%; níveis mais baixos que em 2000-10, um período de estagnação. A exigência de um crescimento sustentado da produtividade, além da recuperação do emprego, demonstra a necessidade de reformas. Na segurança social, com a criação de um terceiro pilar, na justiça, com a simplificação dos códigos, e na saúde, com desenvolvimento de parcerias público-privadas, o consenso é grande.

Os membros do painel sugerem uma maior colaboração entre o Estado e o sector privado para servir melhor os cidadãos, mesmo depois de as PPP´s terem sido criticadas. Menos consensuais são as prioridades para o mercado de trabalho e a educação. No trabalho, é opinião a necessidade de assegurar a sua flexibilização. Penso que a palavra de ordem seria “desburocratizar”: o desperdício maior da falta de flexibilidade laboral são a incerteza e os custos judiciais, que deveriam ser obviados para benefício de empresas e trabalhadores. A negociação criativa em sede de concertação deverá ser a forma de progredir.

Quanto à Educação, há muito para fazer no desenvolvimento das competências, para preparar um futuro que vai exigir muito. O enquadramento político não tem facilitado as reformas, prometidas mas adiadas, por oposição ideológica e corporativa. Perder a oportunidade da conjuntura actual para pôr o importante à frente do urgente seria defraudar as gerações que se seguem.

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