Imobiliário atinge valores recorde este ano

O investimento no mercado imobiliário este ano poderá crescer mais de 50% face ao ano passado, considerado um ano recorde, para perto de 3 mil milhões de euros, motivado principalmente pelas transacções anunciadas nos centros comerciais.

De acordo com o estudo “Market 360º”, apresentado hoje pela JLL, o investimento estrangeiro no mercado imobiliário continua a ser dominante, tendo representado 80% das transacções realizadas em 2017, sendo os fundos de investimento, com 76%, o tipo de investidor mais activo.

Fernando Ferreira, head of Capital Markets da JLL, referiu que «os investidores domésticos também se revelam bastante dinâmicos, tendo aumentado a sua quota quanto ao número de transacções de 24% em 2015 para 45% em 2017», mas com uma média de tickets de 14 milhões de euros, um valor que compara com os 45 milhões dos concorrentes internacionais.

Pedro Lancastre, director-geral da JLL, adiantou que «os activos de imobiliário estão a ganhar quota de mercado», que esta «é uma tendência mundial» e que em Portugal é uma «onda estrutural» e não passageira.  O director-geral acrescentou ainda que existem dois grandes desafios, principalmente em Lisboa, que se prendem com a necessidade do aumento da promoção e incentivos por parte da Câmara e do Estado para a construção de mais escritórios e «mais arrendamento residencial com discriminação positiva por parte da Câmara, dando condições aos promotores para a construção destinada 100% a arrendamento».

 

Análise sectorial

Nos escritórios, a construção nova começa a ressurgir, “mas ainda de forma muito tímida, o que poderá limitar a actividade, já que o stock começa a não ter capacidade de resposta para os requisitos da procura actual”, avança o estudo.

Na área residencial, o número de casas vendidas ascendeu às 110.847 em 2017, mais 12,4% do que no ano anterior, 57% das quais adquiridas por estrangeiros – 14% brasileiros, 7% sul-africanos e 4% turcos e britânicos. Patrícia Barão, head of Residential, indicou que «há mais procura do que oferta».  Ainda assim, a tendência de alargamento de procura para fora das zonas consideradas prime, quer por comparadores nacionais, quer por internacionais, tem originado uma maior capacidade de resposta, o que levará a que este ano “se assista a um maior equilíbrio entre a oferta e a procura e, portanto, a um crescimento menos acentuado dos preços”.

No retalho, as lojas de rua “passaram a ser a primeira opção das marcas que querem entrar no mercado” e os centros comerciais têm sentido necessidade de se adaptar aos novos padrões de consumo”, nomeadamente ao crescimento das compras online, “procurando modernizar-se e oferecer conceitos culturais e de lazer associados à experiência”, indica o estudo.

Na área de development, e de acordo com Fernando Vasco Costa, head of Development Solutions, os «edifícios para reabilitar são, actualmente, a classe de activos mais procurada», sendo que os «investidores internacionais já não querem só usos prime», posicionando-se também na reabilitação e construção nova em zonas menos centrais, destinada, por exemplo, a habitação para a classe média nacional, escritórios e residências de estudantes.

No sector hoteleiro, segundo a vice-presidente de Portugal Hotels & Hospitality Group, em 2017, foram transaccionados nove hotéis em Portugal, por um valor total de 110 milhões de euros e espera-se um crescimento do investimento de 2% a 3% este ano. Karina Simões acrescentou que «há um gap na hotelaria com muita oferta de 4 e 5 estrelas, existindo muito potencial para os 3 estrelas superior que conseguem ser bastante rentáveis».

Texto de Helena Rua

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