A culpa é toda… nossa!!

Por Ricardo Florêncio

Jean-Baptiste Colbert referiu em tempos: «A arte de cobrar impostos consiste em depenar o ganso de forma a obter o maior número de penas sem que ele grite.»

Bem, nós até gritamos, mas não nos ouvem. E assim, lá nos vão arrancando as penas. Segundo consta os impostos directos em 2017 até vão ser suavizados. Boas notícias! Mas a carga fiscal total, essa vai continuar a aumentar. Das mais diversas maneiras e abordagens, mas vai aumentar.

Mas desengane-se completamente, quem pensar que esta nota é uma crítica a este governo. Se fosse para fazer críticas, tinha de fazer a este e às dezenas de outros governos que o antecederam, pois todos fizeram a mesma coisa: ir aumentando sucessivamente os impostos e a carga fiscal total. E para quê? Com uma única finalidade. Ir pagando e cobrindo as despesas do Estado. O Estado, essa instituição que a todos pertence, mas que a ninguém presta contas.

Desse monstro sem rosto, dessa bola de neve que vai ano, após ano, aumentando o seu tamanho, os seus custos, a sua manutenção. E os impostos servem para isso mesmo. Para ir mantendo o enorme Estado que temos!!!! E assim, se tivermos que apurar responsabilidades e apontar culpas, iremos encontrar apenas uma. Nós próprios!!!!!

Cidadãos, contribuintes, eleitores, como desejarem ser identificados. Nós, é que somos os responsáveis por esses sucessivos aumentos de impostos. E sabem porquê? Porque nós é que fomos permitindo que o Estado fosse aumentando desde modo desmedido e sem controle. Nós, é que pouco, ou nada, fizemos para travar o aumento da dimensão do Estado. Fomos totalmente permissivos. Aliás, muitos de nós, até fizemos com que fosse progressivamente aumentando de dimensão. E muitas vezes sabendo que não tínhamos dinheiro suficiente para o pagar, para o manter. Mas sempre fomos empurrando o assunto para o ano seguinte, para a década seguinte, para as gerações seguintes.

E de vez em quando alguém pergunta, se temos dinheiro para pagar este Estado que temos. E a verdade é que não temos. Mas vamos todos fingindo «que não passa nada……………………..».

 

Editorial publicado na edição de Novembro de 2016 da revista Executive Digest

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