E financiar a procura? (parte II)

Por Paulo Carmona

Como diria Deng Xiao Ping, revolucionário e líder chinês entre 1978 e 1989, não interessa se o gato é branco ou preto desde que cace ratos.

Ou seja, não é importante se o serviço é prestado por uma entidade pública ou por uma entidade privada, desde que o serviço seja bem prestado. O mais importante é o fim, não é o meio.

Esta afirmação de um importante líder comunista mostra o pragmatismo que ultrapassa a ideologia e vai direito à realidade e ao mais importante, o benefício dos cidadãos. Foi esse pragmatismo que retirou a China de uma pobreza absoluta, pós-Revolução Cultural, para uma das nações economicamente mais poderosas do planeta, misturando o puro capitalismo com a liderança enérgica do Partido Comunista.

É esse pragmatismo, do “enriquecer é bom”, que muita falta faz por estas bandas. Por exemplo, ainda temos discussões com base na defesa da sacrossanta escola pública, constitucionalmente protegida, em vez de defendermos o bom ensino e principalmente o aluno. Pode ser que sejam sinónimos, ou não. Se forem sinónimos anda muita gente enganada e a deitar dinheiro fora em propinas escusadamente.

São estas questões demasiado ideológicas, de defesa cega de interesses e corporações, da escola pública, da saúde pública, da prestação pública de serviços, que fazem esquecer quem de facto deveríamos estar a defender, os seus utentes. Ainda bem que não existem supermercados públicos…

São muito mais importantes as reformas como o Obama Care ou a generalização da ADSE como seguro de saúde para todos os cidadãos, garantindo que todos possam ter acesso a uma saúde digna, com listas de espera razoáveis para todos e não apenas para quem tenha meios de possuir um seguro de saúde que dê acesso a qualquer hospital ou cuidados de saúde. É mais importante financiar os utentes mais desfavorecidos para aquisição de seguros de saúde, públicos, do tipo ADSE, ou privados, em igualdade de circunstâncias com os restantes utentes para que não exista uma saúde para ricos e outra para pobres.

É nesse sentido que países socialmente mais evoluídos, como a Holanda ou os países escandinavos, têm seguido. O Estado Social não é um Estado que se concentra apenas em prestar serviços públicos, mas sim garantir que não existe uma escola ou uma saúde para ricos e outra para pobres. É desse pragmatismo de um Estado que garanta e que regule, que financie e apoie os mais desfavorecidos, que nós temos falta.

Camarada Deng ressuscite e venha ajudar-nos. Precisamos de pragmatismo…

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