paulocarmona1

Texto de apresentação da IV Conferência Executive Digest

Exmas. senhoras e senhores,

Bem-vindos a mais uma conferência da Executive Digest, a 4ª, desta vez dedicada a um tema muito discutido na ordem do dia, e ao qual tentaremos trazer algo de novo, o desenvolvimento da economia portuguesa e os absurdos custos de contexto.

Dizia recentemente um antigo Ministro das Finanças que os portugueses vivem apreensivos, com razão ou sem ela, com o emprego, as suas pensões e os seus depósitos.

O emprego, esse, como talvez tudo o resto, resolve-se com mais investimento e crescimento económico.
Isto do crescimento é um pouco como a pasta medicinal Couto, anda na boca de toda a gente, mas muitas vezes tratado com demasiada demagogia e palpites irrealizáveis face à nossa situação actual. Sobretudo quando insistem nos mesmos erros dos últimos 15 anos em que a economia portuguesa se debruçou sobre os bens ditos não-transaccionáveis e sobre rendas geradas internamente. O Estado gastou, gastou e o crescimento foi zero. O resultado foi um acumular de défices externos financiados insustentavelmente por dívida, por uma procura interna artificialmente e keynesianamente empolada. O caminho não pode voltar a ser esse.

Se esta crise tem algo positivo foi o seu efeito pedagógico de entendermos os mecanismos da economia. Ficámos todos a entender que o dinheiro que o Estado tem para gastar é o dinheiro dos nossos impostos e sobretudo que as empresas são as únicas entidades capazes de gerar emprego e riqueza duma forma sustentada.

Por todo o país, acossados pelo receio de fecho de cada uma das empresas, ampliado pelos exemplos de falências que diariamente assistimos, accionistas, trabalhadores e credores têm juntado esforços para salvar e compreender os mecanismos de funcionamento da empresa. E sabem que só unidos poderão sobreviver e prosperar.

Mesmo os sindicatos, substituídos pontualmente pelas comissões de trabalhadores, são os primeiros a propor, em alguns casos e em surdina, rescisões de alguns contratos de trabalho para salvamento da empresa e dos restantes. Finalmente parece termos entendido que devemos proteger as empresas pois os seus interesses são o interesse de todos os seus stakeholders.

O desenvolvimento da economia e o seu crescimento real joga-se na microeconomia, nas dificuldades de investimento, licenciamento, custos de contexto e, sobretudo confiança. Até porque as nossas opções macroeconómicas são quase tão reduzidas como as do Governo Regional da madeira na antiga “zona do escudo”. Dá muita conversa, mas poucos resultados.

Aqui hoje não queremos conversa, queremos propostas concretas, porque os diagnósticos estão feitos, mas as reformas tardam.na justiça, na educação, na burocracia no regime processualista e complexo.

Em vez de estarmos com o crescimento na boca e grandes desígnios e sound-bytes deveríamos estar mais preocupados em eliminar a chamada red tape, circuitos complexos de licenciamento camarário, ambiental, etc. que demorará mais tempo mas é estrutural e transversal à economia? E o regime de incentivos? Muitas vezes os processos param por questões burocráticas de burocratas sem nenhum incentivo para acelerar investimentos e alterar a sua forma processual de proceder. Referia-me há algum tempo José Honório, CEO da Portucel, que infelizmente não pode participar na conferência de hoje, que a sua indústria é regida por 47 (se não me falha a memória) decretos-lei. Para uma expansão de fábrica necessitou de 1 ano em aprovações de todo o tipo. E isso assusta e afasta quem quer aproveitar a mão-de-obra reconhecidamente excelente que por cá temos. O mesmo José Honório contrastou com um processo de investimento que desejava fazer na Alemanha. Contactou a agência de investimento alemã, disse o que procurava e rapidamente lhe apresentaram um terreno, perto dum porto, e com todas as características pedidas, pronto a construir. O gestor de conta nomeado responsável pela agência trataria de todo o processo e garantiria que o investimento se fizesse rapidamente.

Assim, e para começar a nossa conferência de hoje nada melhor que Luis Reis, um excelente orador e alguém da economia real que sabe muito bem o que falta fazer e talvez como fazer. Nada melhor que um médico de formação, não para nos dar o diagnóstico, como referimos ele já está feito há muito tempo, mas para nos dar a profilaxia e, sobretudo como convencer o doente, a economia, que tem de se tratar.

Penso que Luis Reis dispensa apresentações, tendo feito toda a sua carreira na Sonae onde é conhecido por ser um dos seus quadros mais brilhantes, acumulando com a presidência da Confederação dos Serviços de Portugal, uma entidade gerida com profissionalismo e que apresenta propostas fundamentadas para a resolução de problemas, passando ao lado dos palpites e bocas que infelizmente são muito portuguesas.

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